Foto: divulgação

Anitta rebate motorista que assediou passageira usando ‘short de Anitta’

A cantora Anitta rebateu o motorista de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, que foi banido da Uber após ser acusado de assediar uma passageira adolescente de 17 anos. Em uma entrevista a uma emissora de TV, o homem se justificou dizendo que a jovem estava usando um “short do tipo Anitta”.

A adolescente filmou uma parte da corrida e mostrou os comentários do motorista, que disse que namoraria com ela caso não fosse comprometida e afirmou que não haveria problema em ter um relacionamento com alguém de 17 anos. “Seria problema se tu tivesse 13 anos. E eu acho que tu não tem 13 anos. Que aí tu seria menor incapaz. De 14 anos para cima tu já é responsável”, disse o homem, no vídeo divulgado pela jovem.

Ao se explicar em entrevista à Rede RBS, ele declarou: “Vocês tiveram acesso ao vídeo que ela postou, mas ela está sorrindo, bem espalhada no banco, em posições que eu não gostaria de citar […], com um short tipo Anitta, com mini blusa, pernas abertas no banco, o que chama atenção”.

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A artista ficou incomodada com a situação – e a posterior declaração do motorista – e resolveu se manifestar nas redes sociais. “Acabei de receber este vídeo onde o motorista de uber que assediou uma passageira menor de idade tenta justificar o injustificável (seu assédio) dizendo que a menina estava usando um short ‘tipo Anitta’ e sentada numa posição favorável ao assédio”, afirmou ela, inicialmente, ao compartilhar a filmagem em questão.

Em outras mensagens, Anitta continua: “NADA justifica um assédio. A forma de se vestir, sentar, falar etc não significa qualquer autorização ou pedido ou convite a ser assediada e/ou invadida, abusada, estuprada etc. Quanto à menina estar usando um short ‘tipo Anitta’, pra mim significa que ela é independente, não tem medo de ser quem ela quer e, acima de tudo, bem inteligente pra denunciar e expor um assediador para que outras meninas não passem pelo mesmo que ela”.

As mensagens conquistaram bastante repercussão nas redes sociais. Juntos, os três posts feitos no Twitter acumularam 385 mil curtidas. Somente a publicação com o vídeo obteve mais de 3,5 milhões de visualizações.

Em entrevista posterior, publicada pelo ‘Uol’, Anitta voltou a falar sobre o assunto. “Um homem jamais pode achar que por causa de uma fantasia, ou de uma roupa, ou um jeito de dançar, a menina está pedindo para ser assediada”, afirmou.

Ela completou: “O Carnaval está chegando e, como as pessoas bebem, os homens acham que podem tudo. As mulheres gostam de se fantasiar, e isso não significa que elas dão liberdade ou autorização para qualquer tipo de assédio. Puxada de cabelo, puxada de braço, passar a mão. Isso não existe”.

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A explicação da Uber

Em comunicado, a Uber explicou que o motorista foi banido de sua plataforma após a denúncia ter sido feito. A empresa declarou repudiar atos de violência.

Leia a nota na íntegra:

“A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado.

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos.”

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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