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Anitta desabafa sobre críticas por falar de política e diz não temer ameaças

Anitta tem se manifestado mais sobre política nos últimos tempos. Além de se posicionar diversas vezes contra o governo do presidente Jair Bolsonaro e a gestão da secretaria da Cultura por Regina Duarte, ela chegou a promover uma live com a advogada Gabriela Prioli para ensinar conceitos políticos aos seguidores, bem como uma transmissão com o deputado Felipe Carreras – que virou bate-boca – a respeito de uma emenda a uma Medida Provisória que mudava a cobrança de direitos autorais.

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Por estar bastante ativa no assunto e revelando seus posicionamentos pessoais, Anitta tem enfrentado críticas de internautas – inclusive, de uma parcela de seus fãs. Diante disso, ela resolveu se explicar e, em tom de desabafo, afirmou que as pessoas não podem ficar “de saco cheio” desse assunto, por interferir diretamente no futuro do Brasil.

“Os fãs estão falando que estão de saco cheio que estou falando de política. Cara, é muito importante. A gente não pode fechar os olhos para as coisas que acontecem no nosso país. Temos poder de mudar. Se eu consigo falar com tanta gente, acho que nada mais prudente do que usar essa visibilidade para algo importante”, disse Anitta, inicialmente, pelos Stories de seu perfil no Instagram.

A artista pontuou que é “inevitável” falar sobre política porque, na visão dela, a situação do Brasil é “preocupante”. “Nada mais justo do que abrir mão um pouquinho dos momentos de diversão pra olhar pra esses assuntos importantes, que a gente pode sofrer ou ganhar alguma coisa na vida com eles”, afirmou.

A cantora chegou a mandar um recado para quem pensa em fazer ameaças contra ela. “Tem gente falando que o povo da política é perigoso, que foram ameaçados de morte quando tentaram algo. Se me ameaçar de morte, quanto mais me ameaçar, mais vontade terei de continuar fazendo. Não tenho medo de morrer. Se me matar, viro alma penada e venho encher o saco dela”, disse.

Por fim, Anitta concluiu: “Se alguém estiver pensando em me ameaçar, dá uma assistida no meu documentário (‘Vai Anitta’, na Netflix) para ver que nada mais me assusta nesse mundo. Depois de tudo que passei pra chegar aqui, não tem ameaça certa”.

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Críticas a Bolsonaro e Regina Duarte

Após as cobranças dos fãs por não ter se posicionado durante as eleições presidenciais de 2018, Anitta tem se manifestado um pouco mais na internet. Em agosto de 2019, por exemplo, ela indicou que realmente não votou em Jair Bolsonaro ao dizer, em entrevista à ‘Marie Claire’, que o candidato escolhido por ela não venceu o pleito.

No mesmo mês, a funkeira fez um post para criticar a decisão do governo de suspender editais da Ancine para produção LGBTQ no país, além de se posicionar contra a forma como o Brasil estava lidando com as queimadas na Amazônia. Ela ressaltou: “Não estou aqui para falar de política. Não sou de esquerda, de direita. Não sou apoiadora de PT, de Bolsonaro. De ninguém”.

No início deste ano, Anitta rebateu uma suposta declaração da atriz Regina Duarte, que se tornou secretária de Cultura do governo Bolsonaro. De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal ‘O Globo’, a representante do governo federal pretende criar “eventos familiares ao lado de bailes funk”, com o intuito de “competir” com eles. A intenção não foi confirmada publicamente por Regina.

“Tô torcendo pra que seja mentira. Se for verdade, eles precisam conhecer um baile funk pra ontem. Ele (baile funk) faz parte da cultura do nosso país. É muita irresponsabilidade colocar os bailes como locais indevidos em que famílias não possam frequentar. […] Acho lindo criar eventos para as famílias. Mas na intenção de competir com baile funk? Não entendi essa parte. Espero de verdade que seja fake news”, afirmou, em trecho das publicações.

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Mais recentemente, em fevereiro deste ano, pelas redes sociais, a artista debochou da decisão do governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, de retirar o Brasil e outros 24 países da lista de países em desenvolvimento. “Mas eles não são BFF (melhores amigos)? Senhor Jesus, nos abençoe!”, questionou a cantora.

Já em março, a cantora criticou uma medida que o governo de Jair Bolsonaro pretende tomar no litoral do Brasil para fomentar o turismo: a criação de 73 recifes artificiais e liberar 47 locais para pesca esportiva. A ideia está sendo criticada por especialistas pelo risco ambiental que pode trazer.

“O coronavírus está acabando com tudo e eles ainda não entenderem que a questão do mundo não é essa? É importante a economia e o turismo. Legal, bacana. Mas cadê a economia agora com a saúde entrando em colapso?”, disse ela, na ocasião, pelo Instagram. “Já esqueceu que estava cheio de petróleo nas praias do Nordeste? E aí, quando não puder mais mergulhar, porque já botaram um monte de podrice na água e não vai mais poder encostar na água? como a gente vai adquirir mais turistas para nossa cidade?”, completou.

Anitta voltou a criticar Regina Duarte após uma entrevista da secretária da Cultura à CNN, em maio, que repercutiu negativamente por ela ter minimizado mortes durante a ditadura militar e abandonado a gravação após um vídeo da também atriz Maitê Proença.

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A cantora disse que Regina Duarte foi “grosseira”, pediu que a ela escute “também os lados que pensam diferente” e apontou: “se recusar a ouvir uma opinião contrária logo depois de enaltecer os tempos de ditadura me causa muito medo”. “Seu cargo só governa para quem pensa semelhante à senhora? E as famílias que perderam parentes com coronavírus? Como se sentiriam ouvindo um depoimento de quem faz pouco caso do momento?”, questionou.

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Igor Miranda é jornalista que escreve sobre música desde 2007 e com experiência na área cultural/musical.

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